Ecdisterona, o anabolizante da vez

A ecdisterona (ou 20-beta-hidroxiecdisterona) é um esterol vegetal, extraído das plantas Polypodium vulgare ou da Cyanotis vaga. Ela vem sendo estudada recentemente por mostrar efeitos anabólicos, como aumento de síntese muscular, manutenção do estado de anabolismo e diminuição da gordura corporal. O seu uso vem se disseminando e, como não existe muita informação, não se sabe ainda quais os efeitos colaterais. E por ter relação com aumento de performance, há quem queira que a substância seja incluída na lista da WADA (World Anti-Doping Agency).
A ecdisterona já é conhecida há algum tempo na comunidade científica, mas vem ganhando destaque nos últimos anos por ser anunciada como um anabolizante natural, sendo que seus efeitos estão relacionados a ganho de massa muscular, redução de fadiga e melhora de adaptação aos treinos de força. Isso aconteceria através da estimulação da síntese de proteína muscular e à ligação nos receptores de estrogênio.
Vários estudos em animais já foram realizados mostrando efeitos maiores da ecdisterona sobre a hipertrofia de músculo em ratos, até quando comparada com anabolizantes mais famosos, como a metandienona (dianabol) e a estradienediona (trenbolox). Parr, o cientista responsável por algumas dessas pesquisas, cita no seu artigo publicado em 2015, que a ecdisterona induz hipertrofia muscular com uma potência comparável, senão superior, aos esteroides androgênicos anabolizantes, moduladores seletivos dos receptores de androgênio e ao IGF-1 (o metabólito do GH, hormônio do crescimento).
Em 2006, um trabalho com humanos foi publicado, comparando os efeitos da metoxi-isoflavona e sulfo-polissacarídeo com a ecdisterona, em 45 homens jovens (idade média de 20 anos), praticantes de treino de força. Foram avaliados parâmetros de força muscular, resistência muscular, capacidade anaeróbia e composição corporal. Não houve diferença entre os grupos. A dose de ecdisterona usado foi de 30mg por dia.
Um ponto ainda sem consenso é justamente em relação a dose, pois os trabalhos com animais mostram hipertrofia com doses muito menores do que a dose usada hoje por bodybuilders, que chega a atingir 1 grama por dia. Outro ponto importante é a segurança no uso e os efeitos colaterais, ainda não descritos. Ou por não existirem ou por ainda não terem se manifestado a curto prazo.
Na década de 1980, houve suspeita que a ecdisterona seria o “segredo russo” e que teria sido usada por atletas olímpicos desse país. Como a ciência vem mostrando evidências de alta atividade anabólica, Parr (o pesquisador citado acima) afirmou que a potência anabólica da ecdisterona justifica sua inclusão na lista de substâncias proibidas da WADA e que deveria ser considerada doping.
Vamos aguardar mais novidades sobre esse anabolizante.

  ANABOLIZANTE NATURAL: CAFEÍNA