Estresse, exercício e produtividade

Estresse, exercício, saúde esportiva
Assim como esportistas podem ter sua performance prejudicada pelo excesso de treino,os atletas da vida corporativa podem sofrer do mesmo mal,devido ao estresse.

Assim como os atletas e esportistas podem ter sua performance prejudicada pelo excesso de treino, os “atletas” da vida corporativa podem sofrer do mesmo mal. Não, eles não vão se quebrar por ultrapassar o limite do seu corpo, mas eventos piores ordem acontecer quando a causa deles, o estresse, não é reconhecida e tratada.

Nosso maior ativo é a saúde. Porém, aplicamos pouco nela. Quando um executivo está saudável física e mentalmente, ele produz mais, tem mais disposição. Obviamente, vai ter mais ganhos, trazendo paz interior (Osho fala isso). Nós precisamos ter paz financeira. Ela é um dos campos da nossa vida que não podemos ignorar na busca da saúde integrada. Ao ter ganhos, frutos da produtividade, o executivo consegue também oferecer mais de si para sua equipe, sua família e seus amigos. É uma grande roda alimentada pela saúde e, ao mesmo tempo, influenciada pelos aspectos pessoais (família e amigos), pelo trabalho, pelas emoções e até espiritualidade.

Quem está estressado de verdade, não está em contato consigo mesmo. O elo foi quebrado e, por mais que o executivo saiba o que precisa ser feito, ele não consegue sair do ciclo vicioso do estresse na sua vida. Nessas horas, só fazer exercício não resolve. É preciso tratar da saúde e do bem-estar dessa pessoa como indivíduo orgânico, mental e emocional. É preciso reconhecer o problema e se despir de preconceitos para procurar e aceitar ajuda.

Mas não dá para oferecer ajuda a quem não se sente doente. “Meu colesterol está um pouco alto, vou tomar um remédio”. Você está tratando seu colesterol, mas está tratando a verdadeira causa? O estresse muda o funcionamento do organismo. Hormônios começam a ser lançados na circulação, mandando a mensagem para o corpo “ficar alerta”. O batimento cardíaco aumenta, a pressão aumenta, o açúcar no sangue aumenta para ser combustível do músculo na hora da fuga. Porém, não existe uma ameaça real de perigo, como um tigre te caçando. Esses hormônios ficam constantemente sendo liberados porque o estresse é constante e não mais pontual, como na vida dos nossos antepassados. Isso tem impacto em toda a fisiologia: os batimentos vão estar sempre altos, assim como a pressão e a glicose. Qual o resultado disso? Hipertensão, diabetes e todas as conseqüências que essas doenças trazem. E em que momento essa pessoa se reconhece doente? Quando está na emergência de um hospital, sentindo dor no peito e medo de morrer.

O burn out da vida executiva é o paralelo do overtraining da vida esportiva. Ambos ultrapassaram o limite. Ambos estão estão colocando seus corpos à prova. No caso do atleta, com risco de lesão, de fraturas. No caso dos executivos, com risco de infarto, acidente vascular cerebral e até morte. Mesmo em quem pratica exercício, porque até o fato de ir para a academia se torna mais uma competição, mais uma meta de produtividade a ser atingida. É aí, nós vamos ter um estressado, em pleno burn out, prestes também a entrar em overtraining, porque os hormônios de estresse liberados numa síndrome são os mesmos liberada na outra.

Quem nunca ouviu falar do fulano, novo, que não tinha nada, corria maratona e infartou? Conheço um desses fulanos. Um dos maiores executivos da sua empresa e também estava sempre na academia. Mas estressado no seu interior, desconectado do seu real estado de saúde. Teve um infarto grave após receber um prêmio. Cirurgia cardíaca, ponte de safena. Com menos de 50 anos.

Eu sou pró-exercício 110%, mas uma só andorinha não faz verão. Num momento de desequilíbrio grave, precisamos de intervenção em outras áreas. Assim, o exercício vai ser uma arma contra o estresse e, não, um potencializador dele.