Explicando os suplementos: BCAA, os aminoácidos de cadeia ramificada

explicando os suplementos BCAA

A menor unidade protéica é o aminoácido. Quando eles se juntam, formam uma proteína inteira. Existem vários tipos de aminoácidos, sendo que um grupo não é produzido pelo nosso corpo e precisamos consumí-los na dieta. Esses são os aminoácidos essenciais e, dentro desse grupo, existem os BCAA (branched chain amino acids), os aminoácidos de cadeia ramificada, que são a leucina, isoleucina e valina.
Podemos encontrar BCAA no whey protein e em outros suplementos protéicos, como nas formulações de aminoácidos essenciais e nos hipercalóricos, e isso leva a uma dúvida muito comum: se eu tomo whey, por que também tomar BCAA? Apesar desses suplementos serem regulados pela Anvisa, não existe uma determinação de dosagem. Então, encontramos produtos com quantidades muito diferentes e que nem sempre vão atender ao objetivo da prescrição do suplemento, sendo necessária a associação entre eles.
O BCAA, por conter leucina, está implicado na síntese muscular, auxiliando a hipertrofia nos praticantes do treino de força. Mas praticantes de esportes como corrida, natação, ciclismo e triatlon também podem-se beneficiar, de uma forma diferente. O objetivo dos esportistas de endurance não é ficar grande que nem um fisiculturista. Durante o exercício, o músculo precisa de glicose para contrair. O fato de correr, pedalar ou nadar grandes distâncias por muitas horas faz com que a musculatura precise de glicose de forma contínua, sendo que os estoques do corpo são limitados. Mas essa fantástica máquina adquiriu meios de produzir glicose através da alanina, um aminoácido formado dentro do músculo a partir dos aminoácidos essenciais (dentre eles os BCAA).
Apesar disso, o consumo de BCAA não foi ainda relacionado a uma melhora da performance atlética, como a creatina. Mas o consumo nas doses corretas, de acordo com o tipo de esporte, está relacionado a uma maior tolerância aos treinos intensos ou prolongados. E é muito comum ouvirmos que os BCAA melhoram a dor após os treinos. Sim, isso é verdade, já existe comprovação científica. A dor muscular de início tardio tem pico entre o 3º e o 5º dia após uma sessão de treino. Os estudos mostram que o uso de BCAA diminui a sensação de dor, principalmente em mulheres sedentárias que iniciaram recentemente a se exercitar.
A leucina é a estrela dos BCAA. Esse aminoácido vem sendo estudado exaustivamente nos últimos anos, pois é comprovado o seu papel na síntese muscular. Na presença de insulina, a leucina ativa várias vias metabólicas que estimulam a produção de fibras musculares. Quando comparados o consumo de leucina com carboidrato, só carboidrato e proteína hidrolisada com carboidrato, o grupo que consumiu leucina e carboidrato teve maior aumento da massa muscular, sendo que todos os participantes treinavam força de maneira semelhante. Outro estudo mostra que o uso de 5g de leucina com carboidrato teve resultados semelhantes em termos de massa muscular do que o consumo de carboidrato com 25g de proteína, mas destes, só 3g eram de leucina.
Isso nos diz o seguinte: existem doenças que consomem a musculatura e, ao mesmo tempo, impedem consumo de grande quantidade de proteína para reverter esse quadro, como insuficiência cardíaca, hepática e renal. Essas pessoas podem-se beneficiar em consumir menos proteína para pelo menos evitar perda de massa muscular, pois a sarcopenia (perda crônica de massa muscular) aumenta a morbidade e mortalidade de doentes crônicos ou idoso.
E uma outra faceta dos aminoácidos é a reabilitação muscular em pessoas com lesões ortopédicas. Estudos mais recentes apresentam sucesso ao demonstrar que pessoas com lesão do joelho, que precisaram ser submetidas a colocação de prótese, não tiveram perda de massa muscular quando consumiram leucina 2 semana antes e depois da operação. O consumo era realizado após as sessões de fisioterapia. O grupo que não consumiu a leucina, mesmo fazendo fisioterapia, teve perda muscular. Se uma pessoa perde menos ou não perde massa muscular por conta de uma lesão e operação ortopédica, ela começa a se movimentar antes, diminui seu tempo de internação, melhora sua qualidade de vida e, o mais importante, diminui a chance de ficar doente por estar acamada. Agora, pense em quantos atletas também poderiam se beneficiar disso, caso machucassem o joelho e precisassem ser operados? Vamos aguardar mais trabalhos científicos que esclareçam esses questionamentos.
Portanto, apesar de não influenciar diretamente na performance atlética, indiretamente os BCAA estão ligados a ela, por conseguir melhorar a tolerância aos treinos e ser uma nova alternativa, junto com os aminoácidos essenciais, na reabilitação de lesões musculares e ortopédicas.
Semana que vem, continuamos e falaremos da L-carnitina e do ácido linoléico conjugado, o CLA. Emagrecem ou é mito?