Futebol e suplementação, parte 1

Futebol e suplementação parte 1

O futebol é o esporte mais popular e mais praticado no mundo. Na Copa do Mundo de 2014, aproximadamente 3,4 milhões de torcedores compareceram às 64 partidas do Mundial no Brasil. Em termos atléticos, é um esporte de exercícios intermitentes e intensidade varIável, sendo que, numa partida, 12% das atividades consistem em exercícios anaeróbios de alta intensidade, como corridas em explosão (ou sprint). Os jogadores da primeira divisão tem maiores períodos de atividade de alta intensidade que os de divisões inferiores. Durante uma partida, em média, o jogador realiza 1350 atividades diferentes, sendo que destas, 220 são em alta velocidade.

Milhares de crianças e pré-adolescentes tentam, todos os anos, ingressar em clubes de grande projeção, pois a fama e os altos salários dos jogadores profissionais são atrativos para muitas famílias humildes. Porém, nem sempre estar num clube é garantia que os jovens atletas vão ter acompanhamento médico especializado e uma equipe apara atender suas necessidades. Isso é preocupante, porque o calendário do futebol brasileiro não permite uma recuperação adequada entre as partidas e os treinos (o que aumenta a chance de lesões musculares e ósteo-articulares graves) e também afeta a recuperação do estado de hidratação dos atletas (o que pode ter impacto metabólico importante). Assim, muitas vezes a suplementação visa mais a recuperação muscular do que a performance atlética.

Quando falamos de futebol, precisamos falar de hidratação e temos que pensar no contexto: muitas vezes os jogos são à tarde, no calor e em locais de tempo úmido, o que afeta a regulação da temperatura corporal e leva à desidratação. Quando o atleta sua muito, perde peso, mas perde peso em água. Se ele perder 2% do seu peso, seu raciocínio já pode ser comprometido. O desempenho físico cai quando perde de 5 a 6% do peso. As habilidades específicas diminuem, como o drible; diminui a coordenação, elevando o risco de lesões; e diminuem os sprints, força e a velocidade. A desidratação afeta a função muscular, aumenta as cãibras e o risco de hipertermia.

A hidratação é um dos maiores recursos ergogênicos no futebol, pois tem impacto direto na performance atlética e na recuperação. Quanto mais próximo da hidratação ideal o atleta permanecer, melhor consegue se recuperar entre as partidas, pois a chance de lesão diminui. Consumir água é importante mas o consumo de bebidas esportivas que contêm glicose e sais minerais também é importante, já que no suor, perdemos sal e os minerais da bebida esportiva fazem essa reposição. Se o sal perdido no suor não é reposto, podemos ter cãibras, o que é muito comum de vermos nos jogos que vão para prorrogação ou cobrança de pênaltis.

Outra opção de reidratação é o uso pós-treino de leite desnatado com achocolatado. Essa combinação é muito semelhante aos suplementos de recuperação, com uma razão de 4g de carboidrato para 1g de proteína. O leite com achocolatado contém sódio, atua na recuperação muscular diminuído o dano causado pelo exercício e ajuda a reposição da energia muscular (síntese de glicogênio intra-muscular). Quando comparados, ele é tão eficiente quanto as bebidas esportivas e os estudos mostram uma tendência a maior tolerância até a fadiga nos atletas do sexo masculino. Além disso, ele pode ser mais barato do que suplementos de recuperação.

No próximo artigo, vamos abordar quais suplementos são usados para performance pelos atletas do futebol.