Trabalho noturno e alteração hormonal

Trabalhar à noite pode levar a alterações hormonais, principalmente da melatonina, à obesidade, aumento de triglicerídeos e colesterol, diabetes e depressão.

Hoje, vamos ver como virar noites afeta (para pior)  o metabolismo. Isso atinge um público específico da população: os plantonistas noturnos. Eles podem ser médicos, enfermeiros, profissionais da limpeza, seguranças, policiais, garçons, controladores de vôo… Quanta gente que trabalha madrugada a dentro e nós nem percebemos.

A questão é que trabalhar à noite afeta o ciclo circadiano. Explicando, é o ciclo que o corpo tem durante um dia, 24h, influenciado pela variação de luz e temperatura. Esse ciclo regulo o sono, a vigília (quando ficamos acordados) e influência e é influenciado também pela alimentação.

A ironia da coisa toda é que trabalhar a noite coloca em risco o bem-estar  de quem está cuidando do seu…

O ciclo circadiano regula vários hormônios, produzidos em várias glândulas do corpo, coordenando o relógio biológico com o ambiente. Quando esse relógio é dessincronizado por conta do sono perdido, a saúde começa a sofrer. Há aumento do risco de sobrepeso e obesidade, resistência à insulina e diabetes, dislipidemias, síndrome metabólica e alterações do padrão de refeição.

Mas você pode pensar: trabalhar tanto tempo à noite, a pessoa logo se adapta. Ledo engano, porque apenas 3% dos trabalhadores noturnos conseguem ajustar seus relógios biológicos. A melatonina, o neuro-hormônio que regula o sono e a vigília, é o primeiro a sofrer com a privação de sono. Depois disso, uma cascata de alterações hormonais acontece, deixando o organismo em estado de estresse constante que leva a várias alterações .

Além disso, a péssima qualidade do sono constante faz com que poucos desse plantonistas noturnos consigam fazer exercício de forma efetiva e que consigam manter uma alimentação balanceada, porque o consumo de junkfood, lanches e “belisquetes” é maior até durante o dia. O que acontece? Aumentam os triglicerídeos, altera a sensibilidade à glicose resultando em diabetes e obesidade. O ganho de peso é visível. De acordo com Ika 2013, a probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2 é maior entre os plantonistas noturnos com menos de 45 anos.

Fica fácil desenvolver isso tudo e um pouco mais: alterações de humor até depressão.

O que fazer então se você precisa continuar no seu turno? Infelizmente, a Anvisa proíbe a produção e comercialização de melatonina no Brasil. Tomar esse hormônio ajudaria na ressincronização do ciclo circadiano. Fora os outros benefícios já demonstrados em vários estudos científicos: diminuir risco de câncer, proteger contra a doença de Alzheimer, além de diminuir gordura corporal e tonificar músculos até em mulheres sedentárias.

Enquanto a dona melatonina não vem, você pode fazer exercícios. Ok, você vai dizer que tempo é o que mais te falta. Se você quiser seguir as recomendações de exercício da Sociedade Brasileira de medicina do Exercício e do Esporte, talvez você desista até mesmo antes de começar, porque  você precisaria fazer 30 minutos de exercício moderado por dia, todos os dias da semana. Aí, um estudo da Universidade de Harvard mostra que homens idosos, alguns já com doenças como diabetes ou pressão alta, se beneficiaram de exercícios mesmo só no final de semana. A redução na mortalidade foi de 15% quando comparados com os homens sedentários. Ou fazer exercício duas vezes, totalizando a perda de 1000 calorias na semana, já mostrou benefício. Confessa: duas vezes na semana te fez refletir… Se esse exercício for em locais abertos, com natureza à vista, os riscos de depressão diminui e pressão alta diminuem.

Lembre-se de consultar um médico antes de iniciar um programa de exercícios.