Explicando os suplementos: Carnitina e ácido linoleico conjugado (CLA) emagrecem mesmo?

explicando os suplementos carnitina e CLA emagrecem mesmo?

Ao entrar numa loja de suplementos, vemos vários produtos também relacionados ao emagrecimento e à definição, além das várias formulações de proteína em pó. Recebemos vários e-mails sobre produtos que diminuem a gordura corporal, sendo dois deles a L-carnitina e o CLA (siglema inglês para ácido linoleico conjugado). E a questão permanece: eles cumprem aquilo que o anúncio promete?
No caso da L-carnitina, a resposta é não. Quem come carne e produtos lácteos, já ingere 100-300mg por dia e o nosso corpo também produz carnitina, pois é uma substância que faz parte do metabolismo da gordura. Ela ajuda a gordura a entrar na mitocôndria, onde vai ser quebrada e gerar energia. Partindo desse princípio, se aumentássemos a quantidade de L-carnitina ingerida, aumentaríamos a quantidade de gordura queimada. Isso não acontece.
A L-carnitina também foi anunciada como um suplemento que aumentaria a energia nos atletas de endurance (corredores, maratonistas, triatletas), mas os estudos que mostraram que a suplementação não aumentou a quantidade de carnitina no músculo. Somente um estudo demonstrou esse aumento, mas, além da carnitina, os atletas faziam dietas hipercalóricos. O uso atual da L-carnitina é mais relacionado à aumento de tolerância nos treinos, pois é uma substância que vem-se mostrando um anti-oxidante poderoso.
E quem quer emagrecer tomando CLA? O CLA, conjugated linoleic acid, é uma forma de ômega-6, com estrutura alterada da molécula. Além do consumo da dieta, as bactérias da flora intestinal podem transformar o ômega-6 em CLA nas pessoas que consomem produtos lácteos.
Em relação ao emagrecimento, as pesquisas com animais são promissoras, pois houve melhora da composição corporal com perda de gordura após 12 semanas de consumo do CLA, em doses altas ( por volta de 3g por dia). Em humanos, os resultados são controversos, pois os estudos mostram que não houve ganho de peso com a suplementação, porém, não houve perda de gordura como nos estudos com animais. Exemplificando, no estudo de Gaullier, um grupo usou CLA por dois anos e teve perda média de 2,7kg de gordura após esse período com a suplementação.
Algumas pessoas podem ter uma genética com mutações a favor da obesidade e da síndrome metabólica. Essas pessoas, quando fazem uso do CLA, podem ter resultados ruins quando usam algumas formas de CLA, desenvolvendo aumento da glicose sanguínea, aumento dos triglicerídeos e dos parâmetros de inflamação crônica, relacionados a aumento do risco de doença cardiovascular. Vale lembrar o seguinte: nosso organismo precisa manter um equilíbrio no consumo entre ômega-3 e ômega-6 para que haja benefício e diminuição do risco cardiovascular. Ao consumirmos mais ômega-6, o corpo tende a ficar mais inflamado, devido ao metabolismo dessa molécula. Então, se essas pessoas susceptíveis consomem CLA na esperança de melhorar sua gordura corporal, podem, sem saber, estar contribuindo para a piora do seu estado de saúde.
Assim, estudos mais completos ainda são necessários para definirmos o papel da suplementação do CLA no emagrecimento. Quais formas da molécula, quais doses e em queixas pessoas isso pode acontecer ainda são questões não respondidas.
Semana que vem vamos falar da cafeína, tão presente na cultura brasileira. Termogênico que até doping já foi considerado. Até mais!