Low carb: comparando as dietas paleo, cetogênica e mediterrânea

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Novidades podem ser frutos de reciclagem de ideias antigas. Hoje, existem tantas “novas dietas” que podemos nos perder entre nomes e definições. Isso é particularmente comum entre as dietas paleo, cetogênica e mediterrânea. Esse artigo vai esclarecer a diferença em relação a quantidade de carboidratos delas e qual está sendo estudada no combate ao câncer.

Vamos começar pelo termo low carb

Dietas com baixo consumo de carboidrato ganham o nome de low carb sendo apenas uma dieta hiperproteica (com mais proteína). É o caso da dieta paleolítica ou paleodiet. Ela consiste no consumo de alimentos que os ancestrais humanos consumiam, como carnes, ovos e frutas silvestres. Na era paleolítica ainda não existia a agricultura e os nossos ultra-tataravós não comiam grãos como o trigo, a soja ou o arroz. Eles também ainda não tinham descoberto os tubérculos, como as batatas, o aipim, o inhame. Todos esses alimentos, coincidentemente, são ricos em carboidratos como o amido, ao contrário das frutas silvestres. Porém, a paleo diet acabou sofrendo algumas atualizações com a introdução dos óleos e azeites e do bacon, apesar da paleo “raiz” não aceitar embutidos e processados. Na sua origem, ela é hiperproteica por ser rica em proteínas, alta em gordura mas não há uma restrição específica de quantidade de carboidrato.

Dieta hiperprotéica não necessariamente é uma dieta low carb

Ao contrário da cetogênica. A DC, ou keto diet, é uma atualização da dieta Atkins, muito badalada nos anos 80. Ela leva o sobrenome do seu inventor, o cardiologista americano Robert Atkins, que foi duramente criticado por difundir uma dieta rica em gorduras provenientes do alto consumo de carne, inclusive vermelha. Seu argumento foi que uma dieta pobre em carboidratos seria uma medida eficaz para o combater a epidemia de obesidade nos Estados Unidos.

Mas as diretrizes dietéticas falavam justamente o contrário: nessa mesma época, foi lançada a pirâmide alimentar, estipulando o consumo de gordura máximo de 20% das calorias diárias totais. A pirâmide preconizava uma dieta balanceada composta por 50-55% de carboidratos, 25-30% de proteínas e até 20% de gordura. Bem diferente da dieta cetogênica, cujo consumo máximo de carboidrato por dia é de 20 a 30 gramas ( o que corresponde a 6% das calorias totais ingeridas numa dieta de 2000 calorias diárias).

A dieta Atkins foi perdendo seguidores por ser uma dieta de difícil adesão no longo prazo: muitas pessoas sofrem com prisão de ventre, relatam dor de cabeça e cansaço nas primeiras semanas e se sentem incomodadas com o hálito característico, com um cheiro que lembra o de acetona. Apesar da perda de peso inicial, não é todo mundo que levava a dieta adiante. Recentemente, a dieta Atkins passou por uma reciclagem e sua versão revista e atualizada foi relançada ao mundo como a dieta cetogênica.

Mesmo se tratando de uma dieta à base de gorduras saturadas provenientes das carnes, a dieta cetogênica melhora o colesterol e os triglicerídeos e ajuda no controle da glicose em pessoas diabéticas. Hoje, existem estudos que comprovam uma boa relação entre o baixo consumo de carboidratos com a diminuição de risco de doenças cardíacas. Dentre outras aplicações, a dieta cetogênica é muito bem estudada na epilepsia, especialmente crianças com crises de difícil controle. Através de mecanismos moleculares, os corpos cetônicos produzidos (daí o nome “cetogênica”) diminuem a chance de crises convulsivas por ter ação anti-epiléptica.

Dieta cetogênica não substitui tratamento médico do câncer!

O jornalista Marcelo Rezende morreu recentemente, vítima de um câncer no pâncreas, já espalhado por outros órgãos. Ele levantou a questão da dieta cetogênica pois largou a quimioterapia na esperança de se curar somente com a dieta low carb.

A ciência vem mostrando que a dieta cetogênica pode ser uma terapia auxiliar viável no tratamento de alguns tipos de tumor, mas falar que ela sozinha cura o câncer é irresponsabilidade. Na preparo desse post, encontrei um relato de caso de uma mulher de 28 anos com câncer de mama agressivo, metastático que fez dieta cetogênica orientada por médicos durante 12 semanas de quimioterapia. Ao concluir o tratamento quimioterápico, o tumor não foi mais detectado. Ainda assim, a paciente foi submetida à mastectomia e onde seria o tumor, foi vista uma fibrose.

Os bons resultados com a dieta cetogênica no câncer são animadores. Os efeitos colaterais da quimio e radioterapia são amenizados e as células tumorais ficam mais susceptíveis, principalmente no  câncer de mama. Mesmo com esses benefícios, mais de 25% de pacientes abandonam a dieta. Em relação à paciente do caso, a adesão à dieta foi boa, porque suas chances de sobrevivência eram muito pequenas. No momento da publicação do seu caso, tinham-se passado 6 meses após o término do tratamento, o que é muito cedo para dizer que ela está curada. Para uma pessoa ser considerada livre do câncer, ela deve ficar 5 anos sem o surgimento de nenhum novo tumor do mesmo tipo do primeiro tumor já tratado.

Com tantas evidências atuais que o consumo de carboidrato pode ser prejudicial à saúde, os adeptos da dieta mediterrânea são uma exceção a essa nova regra

Após o estabelecimento da pirâmide alimentar com a restrição de gordura, foi notado que os povos da costa do Mediterrâneo comiam gorduras saturadas e massa, mas mantinham-se longevos, saudáveis, com baixo índice de doenças do coração e diabetes. A dieta era comum entre eles: muito peixe, vegetais, grãos integrais, azeite de oliva e vinho. Como alguém que come queijo gorduroso consegue chegar aos 100 anos? Esse foi denominado o “paradoxo francês” e a dieta mediterrânea surgiu.

O grande diferencial da dieta mediterrânea é que mais que uma dieta, ela é um estilo de vida muito ativo, pois os centenários franceses se deslocavam caminhando ou de bicicleta, comendo frutas e legumes de seus quintais e consumindo peixe fresco e selvagem. Mesmo o carboidrato do pão e do vinho, constantes na mesa, não sobrepujava os benefícios da atividade física.

 

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Principais componentes da Dieta Mediterrânea

Resumindo: qual eu posso chamar de low carb?

A low carb de verdade é a dieta cetogênica, ou Atkins, ou dieta da proteína (20 a 30g de carboidrato por dia). A paleo diet é uma dieta hiperproteica com alta gordura, com diminuição de carboidrato, mas sem a restrição da cetogênica. A dieta mediterrânea é uma dieta balanceada, onde carboidratos integrais são consumidos e doces são evitados.

Com qual você se daria melhor?

 

Você já tentou alguma dieta a longo prazo? Como foi? Compartilhe sua história nos comentários.

  • Diego C

    Já iniciei a paleodiet e me adaptei!