Multivitamínicos e performance atlética

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Se você perguntar a um atleta de alto rendimento ou até mesmo a uma pessoa que pratica exercício 3 vezes na semana, se eles já tomaram ou tomam algum multivitamínico, a resposta possivelmente será sim. É muito comum o uso deste suplemento baseado no argumento que atletas precisam regular a produção de radicais livres, fazendo uso de antioxidantes. Porém, os estudos mais recentes não concordam muito com essa prática.

Quando fazemos exercício de forma regular, o organismo apresenta respostas (como aumento do batimento cardíaco durante o exercício) e adaptações (como melhora da saúde cardiovascular, diminuição da pressão arterial, etc). Para que ele se adapte, ele precisa passar por um período de estresse que é o exercício em si. Toda vez que qualquer pessoa se exercita, o metabolismo produz radicais livres, moléculas que são uma ameaça à saúde e à estabilidade celular. A partir desse conceito, prega-se o uso de antioxidantes.

Um organismo só se adapta ao estresse se ele fica estressado em algum período

Então, precisa haver um equilíbrio entre a produção de radicais livres e a quantidade de antioxidantes. Se houver radicais livres em demasia, o corpo vai sofrer com lesões musculares, lesões articulares e inflamações que demoram muito mais a melhorar. Agora, se pergunte: e se houver antioxidante demais, o que acontece?

Os atletas de alta performance têm necessidades maiores que a população em geral de vitaminas e sais minerais, até mesmo para balancear os radicais livres produzidos nos treinos intensos. Sabemos que a vitamina C melhora a defesa do organismo e aumenta o ganho de força. A vitamina E consegue balancear o gasto energético no exercício em altitudes elevadas. Geralmente, são usados como comprimidos ou cápsulas e não existe estudo mostrando melhora na performance atlética através do uso oral, das doses comuns. As vitaminas C e E não melhoram a performance nem evitam dano muscular em atletas normalmente nutridos que estão em altitudes baixas ou nível do mar.

Na contramão do que se pensa, o uso indiscriminado de antioxidantes pode até atrapalhar a adaptação do corpo aos treinamentos e ter um impacto negativo sobre a performance atlética

Vários artigos científicos mostram que impedir a ação dos radicais livres bloqueia a mensagem para a formação de vasos sanguíneos novos ( angiogênese) e de estruturas que produzam energia no músculo (mitocôndrias). Além disso, o próprio sistema do corpo que combate os radicais livres deixa de ser “treinado” quando vários antioxidantes de fora já fazem essa função.

Suplementos têm indicação

O uso de vitamina E em provas ou treinos am altitudes elevadas é justificado porque, nessas condições, existe uma produção aumentada de radicais livres. Sem muita comprovação, o uso de vitamina C, E e beta-caroteno algumas semanas antes de competições pode melhorar o equilíbrio entre radicais livres e antioxidantes por causa dos treinos mais intensos. Se o atleta têm deficiência de vitaminas ou de sais minerais, a reposição é imperativa. Para isso, ele precisa de acompanhamento profissional.

Hoje em dia, é muito fácil ter acesso a vários suplementos. Mas ao mesmo tempo, muita informação desencontrada também está disponível na internet, fazendo com que muitas pessoas consumam suplementos sem necessidade ou o suplemento errado para o objetivo que querem alcançar. No caso especial de atletas de elite, a contaminação de suplementos com substâncias proibidas pode caracterizar doping e colocar suas carreiras em risco. A prescrição deve ser feita sempre por um profissional da área.