Testosterona, estrogênio e anastrozol

A testosterona é o hormônio masculino, produzido em menores quantidades também nas mulheres, relacionado ao ganho de massa muscular. Quase 80% do estrogênio produzido nos homens é proveniente da conversão de testosterona em estrogênio, através de uma enzima chamada aromatase. É cada vez mais comum o uso de inibidores de aromatase por homens, como o anastrozol, na expectativa de que o bloqueio de estrogênio levaria a maior ganho de massa muscular e diminuição da gordura corporal por aumento da testosterona circulante.

Porém, Finkelstein publicou um trabalho em 2013, que avaliou a gordura corporal, a gordura intra-abdominal e a massa muscular em homens entre 20 e 50 anos. Foram estudado quase 320 homens, cuja produção endógena de tabela_anastrozol_grupo1_nutroesportetestosterona foi suprimida por medicação. Depois, foram divididos entre 3 grupos: o grupo placebo, o grupo que recebia só testosterona e o grupo que recebia testosterona e anastrozol. Cada grupo foi dividido em subgrupos, que usavam doses crescentes de testosterona (1,25g, 2,5g, 5g, 10g).

O objetivo desse estudo foi avaliar o efeito da inibição do estrogênio sobre porcentagem de gordura, massa musctabela_anastrozol_grupo2_nutroesporteular, força muscular e índices de qualidade de vida sexual em homens.

Os homens foram reavaliados no final de 16 semanas de tratamento e os resultados chamaram a atenção. Quem não recebeu testosterona ou recebeu até 2,5g por dia, teve aumento da gordura corporal. Os grupos que receberam 5g e 10g por dia, tiveram menor ganho de gordura. Porém, quem usou 10g de testosterona e anastrozol teve um resultado pior do que quem usou somente a testosterona. A gordura visceral também foi significativamente maior no grupo que recebeu o anastrozol.

Em relação à massa muscular, foi avaliada a área muscular da coxa. O grupo anastrozol teve, de novo, resultados piores do que o grupo sem ele. Os subgrupos que usaram 10g de testosterona tiveram aumento da massa muscular, mas o grupo anastrozol teve um aumento menor comparativamente.

O surpreendente desse estudo é que o grupo anastrozol teve resultados piores em todos os parâmetros avaliados quando comparado ao grupo testosterona sozinha.

O que os autores afirmam é que massa muscular, massa magra e força são dependentes dos níveis de testosterona no sangue, enquanto que aumento ou diminuição de gordura corporal e da gordura intra-abdominal eram uma função do estrogênio.

Isso pode parecer novidade, mas estudos prévios já mostravam que homens com estrogênio baixo tinham piora da saúde óssea, com osteopenia ou osteoporose; acumulavam mais gordura visceral e com maior chance de doenças cardiovasculares, síndrome metabólica e piora de colesterol e triglicerídeos; e tinham disfunção erétil.

Ao contrário do que se pensava, o estrogênio tem papel no ganho de massa muscular. Ele atua como antioxidante, controlando a resposta inflamatória no músculo após o exercício. Também age como um estabilizador da membrana da célula muscular e no reparo muscular através das células satélites. Além disso, o estrogênio tem papel na biogênese de mitocôndrias, adaptando essas organelas para o metabolismo oxidativo e maior metabolização de gorduras.

Usar o anastrozol com intuito de melhorar a composição corporal é um uso fútil e isso pode colocar em risco a saúde de quem usa, sem nem mesmo a pessoa se dar conta disso.

 

 

  • Pedro Reis Silva

    tá mas qual a quantidade de anastro utilizada? a regulação já é sabida importante mas o total bloqueio também gera dano ao organismo além de que…. 10g por dia de testo?? quem escreveu esse texto? grandes atletas usam na faixa de 1g pessoas em trh 0,25 a 50mg miligramasssssssssss, se alguem tiver usando 10g de testo dia nem quero ver quanto de anastro esse médico passou ai tem q dar errado mesmo….